Afinal, o que é inovação?

Por Leonardo Comparsi, Sócio-Diretor da AnLab

Dez anos atrás, quando assumi o desafio de introduzir a inovação no DNA de uma das maiores e mais tradicionais empresas de um mercado global igualmente tradicional, o aço, uma das primeiras constatações que fiz foi a diversidade de conceitos sobre inovação que as pessoas possuíam. Havia os que associavam inovação a grandes e complexos projetos tecnológicos. Outros a associavam à pesquisa científica e à invenção de novidades. E outros ainda a relacionavam a pequenas melhorias que provocavam algum tipo de melhora no desempenho. Em vão tentamos chegar a um conceito que representasse o intuito da empresa, sempre incorrendo em uma definição longa e incompleta.

Depois de ouvir, estudar e realizar muito benchmarking, adotamos um conceito desenvolvido pelo Departamento de Indústria e Comércio do Reino Unido, que diz assim: “Inovação é a exploração bem sucedida de uma ideia”. Mais recentemente, através de nossa creditação com o grupo Sueco Innovation360 Group AB, trouxemos uma versão similar: “A inovação é uma ideia implementada que gera valor”.

Creio que a primeira constatação que advém desta definição é de que inovação não é invenção, ainda que uma invenção possa vir a tornar-se uma inovação. Também não é apenas uma boa ideia. É necessário que haja a execução, a implementação dessa ideia. E, ainda mais, ela precisa alcançar escala e produzir valor para quem a usa.

Em ecossistemas maduros, as ideias são compartilhadas livremente e até propositalmente, visto que dificilmente uma ideia bruta de uma única pessoa se tornará em sua íntegra uma inovação. Primeiro porque usualmente são partes de várias ideias que, combinadas e aperfeiçoadas, dão origem a uma solução mais robusta que de fato resolve alguma necessidade. Depois, porque será necessária uma grande dose de resiliência, paciência, convencimento, recursos… para que essa ideia venha a ser executada e torne-se uma realidade. E por fim, transformar um protótipo em algo com escala de mercado é outro desafio abismal.

Inovação Incremental x Inovação Radical

Existem inovações que acrescentam ou melhoram funcionalidades. Uma televisão hoje, com sua tela plana, alta definição e qualidade de imagem, é diferente de uma televisão em preto e branco de tubo da década de 70. Mas permanece sendo uma televisão. É o que costumamos chamar de Inovação Incremental.

Já outras inovações transformam radicalmente a realidade introduzindo algo antes inexistente. A descoberta dos antibióticos ou das vacinas, por exemplo. Ou ainda a introdução dos smartphones. Pense bem, o iPhone foi lançado em 2007. Antes disso não imaginávamos que um dispositivo com uma tela de toque poderia resolver nosso relacionamento com o banco, tirar fotos, realizar compras, pedir comida, enviar mensagens, guardar documentos, apoiar-nos em nossa saúde, gerar entretenimento… São inovações radicais. Mas todas são ideias implementadas que geram valor.

Inovação Disruptiva

Existe também um processo pelo qual um produto ou serviço enraíza-se inicialmente em aplicações mais simples, na base de um mercado, e depois sobe implacavelmente, eventualmente substituindo concorrentes estabelecidos. É o que chamamos de Inovação Disruptiva, termo cunhado pelo Prof. Clayton Christensen, da universidade de Harvard nos Estados Unidos.

Os computadores pessoais são um bom exemplo de Inovação Disruptiva. Na década de 70, quando surgiram, os grandes mainframes dominavam o mercado. Máquinas enormes que ocupavam andares inteiros das grandes corporações e eram responsáveis pelo processamento de grandes volumes de dados. Os computadores pessoais pareciam mais brinquedos de criança. Mas crescentemente passaram a oferecer facilidades para as pessoas em seus lares. A edição de um texto com maior flexibilidade que uma máquina de escrever ou uma planilha de cálculo que permitia resolver diversas questões do dia a dia de forma mais simples. Foram rapidamente se sofisticando e resolvendo problemas de uma forma útil, menos complexa do que os grandes mainframes. Sua capacidade e aplicativos rapidamente se desenvolveram, permitindo que se incumbissem de cada vez mais tarefas, até que em poucos anos dominaram o mercado, para surpresa dos que defendiam o status quo dos mainframes.

A inovação também não se reduz apenas a novos produtos ou serviços. É possível inovar em muitas áreas. Mas isto será assunto para uma próxima oportunidade…

Leia Também:

NEWSLETTER:

Para garantir que você obtenha a melhor experiência no site, utilizamos cookies de acordo com nossa Política de Privacidade.