AnLab entrevista o Executivo do Instituto Hélice, Thomas Job

Reprodução/LinkedIn

Dando início à série de entrevistas para o “Drops AnLab – Um novo olhar sobre inovação e empreendedorismo” em parceria com a Rádio Bandeirantes e Band News FM, o convidado para bater um papo sobre Ecossistemas de Inovação é o Executivo do Instituto Hélice, Thomas Job (foto).

O Instituto Hélice fica localizado em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, e atua de forma colaborativa entre organizações, como um símbolo de uma nova cultura com o potencial de atrair e reter as melhores pessoas. Executa processos de inovação aberta, desenvolve as redes de confiança e realiza ações para fortalecer o ecossistema junto aos demais atores da quádrupla hélice. Confira abaixo a entrevista completa com Thomas Job.

AnLab: Qual o papel dos ecossistemas de inovação?

Thomas Job: Um ecossistema de inovação simboliza a conexão de diferentes pessoas e organizações capazes de transformar ideias em negócios reais. Ou seja, é papel das universidades e empresas do poder público, dos empreendedores, de dialogarem para que seja possível um empreendedor percorrer um longo caminho de uma ideia que se transforma em uma pesquisa, que se transforma em uma tecnologia, que chega no mercado e por fim nas pessoas. A inovação é a oportunidade de oferecer algo totalmente novo pra sociedade; isso pode ser um serviço mais rápido, um produto mais eficiente, uma forma de ofertar ao consumidor que ainda não existe. Mas também não existe como inovar sozinho, por isso é fundamental que todas pessoas estejam conectadas para que esse caminho de inovação se cumpra por completo. A universidade tem o papel de gerador de conhecimento e pesquisa, as empresas têm o papel de aplicar essa tecnologia no mercado, o poder público tem o papel de dar suporte legal, fiscal e até fomento financeiro, e o empreendedor entra nesse jogo com a capacidade de observar as mudanças que estão acontecendo no mundo para propor algo novo.

AL: Quais são os benefícios dos ecossistemas de inovação?

TJ: A possibilidade de ter diferentes organizações e pessoas com o mesmo objetivo torna o resultado maior que a soma das partes. Isso quer dizer que a atuação orquestrada de esforços para um desenvolvimento de novos negócios permite o crescimento de uma empresa nova, mas também o crescimento das entidades de suporte das universidades da sede da região como um todo. No final do dia, uma região trabalhando para criar um ambiente favorável em que todas as ideias floresçam consegue atrair novos talentos, atrair investimento e outras empresas que fazem com que o sistema fique cada vez mais forte, gerando aí um ciclo de crescimento favorável para todo mundo.

AL: Qual a importância da conexão com as startups?

TJ: Independente do conceito entendimento que você tenha sobre startup, duas características são fundamentais para explicar a relevância que tem no meio empresarial. A primeira delas é que deve possuir uma tecnologia ou modelo de negócio com potencial de escala, que gera um valor diferente do que há no mercado hoje. A segunda é a agilidade na entrega de projetos. Atualmente, encontrar essas duas características em uma empresa que a gente diz ser tradicional, é muito improvável. E o mercado tem exigido que todas as empresas se adaptem rápido desde a crise do COVID-19. Quando a gente precisa se adaptar, ter um parceiro com tecnologia e agilidade é uma ótima estratégia. Além disso é uma relação de ganha-ganha, pois a empresa que contrata uma startup, ou faz uma parceria, traz velocidade de tecnologia para o seu mercado; enquanto a startup, sendo uma empresa jovem por definição, cresce rapidamente, sendo mais uma empresa gerando riqueza para a sociedade.

AL: Como uma startup pode vincular-se ao Instituto?

TJ: Hoje o Instituto Hélice possui dois processos distintos de relacionamento com as startups. O primeiro é uma relação comercial, onde as empresas do Hélice contratam a solução da startup. Para isso a gente define temas de interesse comum das empresas, como varejo, RH, saúde e finanças, entre outros, e aproximamos startups que possuam soluções que atendem essas necessidades. Normalmente o perfil de startups, aqui, são startups com produtos já validados e com clientes, é uma startup mais madura. Esse processo a gente realiza a cada dois meses e está disponível no nosso site (Helice.network). A segunda forma de relacionamento é investimento. A gente estruturou um fundo de investimento com participação de investidores pessoas físicas e pessoas jurídicas, que em conjunto selecionam startups com potencial de crescimento para investir até 200 mil reais, chamado Investimento Anjo, que tem como objetivo acelerar o crescimento que tomaria alguns anos para que ele aconteça em alguns meses. Aqui o perfil de startup já é o de uma startup inicial com poucos clientes, mas com o produto/serviço bem interessante.

AL: Qual é a importância das organizações de conectar-se com os ecossistemas?

TJ: Não é possível inovar sozinho. Esta é uma premissa para que a inovação aconteça nas organizações.  Por isso o ecossistema é o ambiente onde as empresas, empreendedores, investidores e pesquisadores encontram-se para crescerem em conjunto. Uma empresa que não está conectada a um ecossistema dificilmente terá conhecimento sobre quais são as tecnologias que estão surgindo. Quais são as empresas que podem virar concorrentes no futuro. E principalmente não estará tendo acesso a competências que a farão ser competitiva no curto e no longo prazo. Ou seja, ela está desconectada ao ambiente de negócios no futuro. Além disso, um ecossistema de inovação promove uma troca de conhecimentos que agrega enormemente uma cultura voltada à inovação e aproxima os talentos da região.

AL: Qual a dica que você daria para as pessoas que querem se aproximar dos ecossistemas de inovação aqui no estado?

TJ: A dica que eu dou para quem quer se aproximar de ecossistemas de inovação, aqui do estado, é tentar identificar quais organizações estão buscando promover uma inovação na sua cidade ou na sua região. Hoje o tema é bem disseminado e normalmente tem algum inquieto na sua cidade que deseja fazer alguma coisa diferente. É comum que isso inicie na universidade, mas não somente lá. Existem instituições de apoio como o Sebrae e o Senai, associações comerciais e industriais, entidades de classe que acabam liderando a pauta empresarial na região, as aceleradoras que conectam investidores a negócios inovadores, institutos que se propõem a fortalecer o ecossistema como o Instituto Caldeira em Porto Alegre e o Instituto Hélice aqui em Caxias do Sul. Por fim, existem muitos eventos voltados à inovação, onde essa turma normalmente participa, seja digital ou presencialmente quando for possível.

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Este, entre outros conteúdos voltados à inovação, você encontra aqui no Blog da AnLab e também nas segundas, quartas e sextas-feiras na programação da Rádio Bandeirantes e Band News FM, no “Drops AnLab – Um novo olhar sobre inovação e empreendedorismo”.

O programa vai ao ar no Break Comercial da Band News 1ª Edição, na Rádio Band News FM (99.3), das 9 h e 20 min às 11 h, e também no programa 90 Minutos, na Rádio Bandeirantes FM (94.9), das 10 h e 30 min às 12 h. Este, entre outros conteúdos voltados para inovação, você encontra aqui no Blog da AnLab e também nas segundas, quartas e sextas-feiras na programação da Rádio Bandeirantes e Band News FM, no “Drops AnLab – Um novo olhar sobre inovação e empreendedorismo”.

O programa vai ao ar no Break Comercial da Band News 1ª Edição, na Rádio Band News FM (99.3), das 9 h e 20 min às 11 h, e também no programa 90 Minutos, na Rádio Bandeirantes FM (94.9), das 10 h e 30 min às 12 h.

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